sábado, 2 de abril de 2011

Tonight it's you.

Primeiro conto que eu escrevo. Não reparem se ficou ruim. ;)


Final de festa. Todos os presentes já muito bêbados para prestar atenção em alguma coisa. Os que foram embora provavelmente devem estar se agarrando em algum canto escuro com seus pares.
Mas ela não. Ela não está nem bêbada o suficiente, nem se agarrando com alguém. Pelo contrário. Está sentada na escada, olhando a bagunça que deixaram na sala do seu amigo (que está bêbado demais para prestar atenção) e esperando. Esperando que alguma coisa aconteça e sente (ou deseja) que a espera valerá a pena. Sentada na escada, mini saia, tênis e jaqueta de couro, ninguém lhe dispensa atenção.
Menos ele. Ele, na cozinha, re-enchendo seu copo com a vodka barata que seu amigo comprou, a observa. Em meio ao caos, ela é a brandura. Parece tão certa, tão em paz, tão linda. Por medo de se aproximar, só observa. A noite inteira. Desde que ela entrou naquela casa, as pessoas perderam a graça, as bebidas perderam o álcool e toda vez que ele ouvia sua risada, a festa perdia o som. Ela parecia tão perfeita para notá-lo, tão estranho com sua camiseta velha e desbotada de sua banda favorita, o cabelo (que a mãe sempre insistia para que cortasse ou penteasse) todo desgrenhado, a barba de dois dias por fazer e seu velho jeans surrado.
A festa inteira ele a observou dispensando sorrisos para outras pessoas. Sorrisos que ele desejava (e fantasiava) que fossem pra ele. As conversas que ela tinha pareciam tão interessantes que ele desejava que ela conversasse com ele e não com as outras pessoas. Mas ela nem sequer notava-o.
Ela viu que ele estava na cozinha. E que a observava. Também, como não notar aquele olhar intrigante, aquele sorriso maravilhoso e estilo diferente daqueles rapazes pré-fabricados presentes na festa, com seus cabelos bem aparados, roupas de grife e barba bem feita? Ele era diferente e ela sentia isso. Quando ela entrou na festa e o viu, parou na mesma hora de desejar não estar ali. Porém, ele era popular demais para repará-la. A todo momento alguma loira de cabelos lisos o abordava, ou algum de seus amigos fazendo brincadeiras infantis.
E enquanto ele se divertia com outras pessoas, ela bancava a simpática e social com pessoas que ela não queria conversar. Imaginava aquele estranho em sua frente enquanto ria para pessoas que ela não conhecia ou conversava sobre coisas que ela não ouvia. Seus pensamentos conversavam com o estranho de cabelo bagunçado.
E ficaram se olhando. Imaginando como seria a voz do outro, o riso, o toque das mãos, sobre o que conversariam.
Para ela, ele era um cara de alguma banda legal que podendo escolher qualquer loira da festa, escolheria justo ela. Ele teria voz rouca, grave e sexy. Cheirava a couro e masculinidade. Conversariam sobre o futuro, sobre seus sonhos, sobre suas necessidades, até se perceberem almas gêmeas. Conversariam a noite inteira e no outro dia ele ligaria, ele se interessaria. Ele não vai deixar morrer.
Para ele, ela era a garota simpática que todos gostavam. A voz seria sensual, e seu perfume, marcante. Conversariam sobre música, filmes, a festa, os amigos em comum, até se reconhecerem iguais. No outro dia provavelmente ela estaria novamente cercada de amigos, mas ela os dispensaria por ele.
E ficaram longo tempo só se olhando e imaginando, quase satisfazendo suas curiosidades apenas com a imaginação. Ele na porta da cozinha, copo de vodka na mão. Ela sentada na escada, mãos embaixo do queixo.
Até que ela sorriu pra ele. E o sorriso desarmou todas as suas amarras e tirou todos seus receios. Ele atravessou o caos da sala, não reparando nada, apenas no sorriso dela. E se aproximou.
O sorriso que ela deu pra ele, foi totalmente involuntário, pois seus pensamentos estavam tão bem que não teria outra forma de demonstrá-los a não ser com um sorriso sincero. E ele estava vindo conversar com ela. E ela percebeu que a espera tinha valido a pena. E não enxergava mais nada, a não ser naquele estranho de cabelos bagunçados se aproximando.
Quando se encontraram, o reconhecimento foi instantâneo. Não precisaram se preocupar com o que falar, o que demonstrar, como falar ou se teriam silêncios desconfortáveis. Conversaram a noite inteira, sobre música, sobre o futuro, sobre filmes, sobre seus sonhos, sobre a festa, sobre suas necessidades, sobre os amigos em comum. E o tempo voou sem que eles percebessem. E a madrugada se transformou em manhã e os assuntos que queriam conversar, impressionantemente não acabavam nunca. Ela queria saber muito mais sobre ele, sobre aquele garoto estranho e interessante. Ele queria saber mais sobre ela, sobre aquela menina de personalidade forte e marcante.
E estenderam a noite perfeita o máximo que conseguiram. Se curtiram o máximo que puderam. E o amanhã chegou. E cada um seguiu sua vida como teriam seguido antes da festa. E as vezes se encontravam, as vezes conversavam, mas o reconhecimento mútuo não adiantou muito quando tiveram que enfrentar a vida real.

2 comentários:

  1. Interessantissimo conto!
    Tá de parabéns.
    Li tanto sobre suas postagens que as vezes sinto sua angústia.

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