Queria deixar claro, antes de mais uma carta, que a carta do dia 2 tem destinatário sim. A carta é totalmente sincera e para uma pessoa específica e não uma criação, como eu acho que algumas pessoas acharam. O motivo de eu não ter colocado o nome do destinatário é evitar uma exposição que talvez a pessoa não goste, apesar de eu duvidar que o destinatário se reconheceu na carta. =)
Veber e Fabiane,
São tantas coisas que eu queria dizer para vocês que na verdade, nem sei por onde começar.
Eu amo muito vocês, sem dúvidas, mas me deixa triste saber que a gente não se dá muito bem em alguns aspectos, meu pai principalmente.
Eu entendo que talvez vocês não queiram perceber que eu cresci, que não sou mais a filhinha que pensa a mesma coisa que vocês. Mentira, não entendo. Eu queria muito que vocês me respeitassem e aceitassem que eu não tenho mais 12 anos, que eu tenho meus gostos e preferências e que eu não vou ficar pra sempre sob as suas asas.
Eu quero meu espaço, eu quero minha vida, eu quero ser por mim e não por vocês.
Talvez por isso minha maior pretensão hoje seja ir embora e morar sozinha. Como vocês mesmos dizem, eu sou egoísta, mimada e folgada, e por isso mesmo quero ir tomar conta de mim. Acho que vocês não me dão autonomia suficiente pra eu deixar de ser egoísta, folgada e mimada.
Não quero parecer ingrata, que desfaz de uma coisa que aproveitou por tanto tempo, quero só que vocês estendam que eu preciso crescer e que vocês não deixam, ou não aceitam.
E ao mesmo tempo que vocês não me deixam crescer, cobram de mim como se me deixassem.
Na faculdade estamos aprendendo muito sobre famílias. Talvez eu seja o bode expiatório da nossa, que serve justamente pra levar a culpa de tudo e manter a família unida, pois se não fosse assim, cada um teria que tomar conta de si separadamente e não de mim. Mas não dá pra aguentar muito tempo sendo bode expiatório. Eu pelo menos não aguento.
Como eu já disse, eu amo muito vocês e agradeço pela educação que me deram. Só queria que vocês confiassem nessa educação. Eu me considero uma boa filha, rebelde talvez, mas uma boa filha. E queria muito que vocês percebessem isso.
Sempre sua,
Karen.
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