Nós vivemos em um mundo onde tudo é instantâneo. Tudo é para agora, neste instante, já. Se a comida, o transporte, os diálogos são assim, porque não os relacionamentos também? O amor romântico, de contos de fadas, já não existe mais. Ele foi substituído pelo amor de conveniência. Claro que não devemos generalizar, mas o amor - e os relacionamentos - estão servindo cada vez mais para algum propósito. O amor pelo simples prazer de amar, está sendo substituído pelo ganhar em troca.
Os relacionamentos hoje estão se baseando no que uma pessoa ganha estando com a outra. O casamento serve como uma espécie de alavanca. Seja por status social, status financeiro, evolução individual, realização de necessidades que os pais não atenderam, dependência (emocional ou mesmo física), insegurança e diversos outros fatores. As pessoas começam um relacionamento porque estão ali, por que se dão bem e não se chateiam, porque é mais barato ter uma casa só do que duas, porque faz sentido, e assim vai.
Podemos ver que o casamento, em questões burocráticas, também mudou. Hoje as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo, qualquer detalhe, de antemão, fazem planos sobre a vida inteira e se sai alguma coisa fora do combinado, o casal já entra em crise. Os amantes tornaram-se sócios, que discutem problemas, tomam decisões, combinam o amor, o relacionamento. O amor, os relacionamentos, o casamento, se tornaram uma questão prática. Assim, ao invés de as pessoas se apaixonarem de verdade, ficam praticamente apaixonadas.
As pessoas têm medo de se apaixonar... e de aceitar a paixão da forma mais intensa. A saudade infinita, a tristeza, o medo, o custo, o desequilíbrio, o eterno, a dor no peito que é, ao mesmo tempo, a maior felicidade do mundo. As pessoas separaram o amor da vida. Ou se vive, ou se ama. Os dois ao mesmo tempo não dá. O amor está servindo mais para dar uma “ajudinha”, um alívio, uma pausa, um descanso, uma “pancadinha nas costas”.
A própria vida às vezes mata o amor. A correria do dia-a-dia, a rotina, a praticidade das coisas, os filhos, as contas, a casa, o trabalho, a responsabilidade, tudo serve como desculpa para adiar o amor e deixá-lo como segundo plano. Dessa forma, o amor está ali, mas apenas porque nos acostumamos com ele e não porque é um convidado de honra na nossa vida.
Nos acostumamos de tal forma com a nossa própria vida que passamos a nem perceber o amor ali. No próprio casamento, esquecemos que estamos com a pessoa porque a amamos. A pessoa deixa de ser o amante ideal, o príncipe dos sonhos, para virar um colega de quarto, uma pessoa que convenientemente divide a casa e as despesas com você.
Isso tudo é fruto da frieza do próprio mundo. Quanto mais afastado você estiver das pessoas, em questões sentimentais, melhor. Quanto menos dependente você for das outras pessoas, melhor. Quanto menos você se envolver, melhor. O problema é descobrir pra quem é melhor.