segunda-feira, 13 de junho de 2011

Saltar ou não saltar, eis a questão..

É engraçado como fazemos besteiras e só percebemos alguns (ou muitos) dias depois o quanto fomos ingênuas e até meio idiotas de ter feito o que fizemos. Com besteiras quero dizer falar ou fazer algo que se tivéssemos pensado duas vezes, ou ido dormir e pensar melhor, com certeza não faríamos.
Eu sou uma pessoa decididamente compulsiva e quem me conhece sabe que eu tenho um histórico de merdas que eu não me orgulho. E eu nunca tinha me arrependido de nada disso. Mas de uns tempos pra cá, eu tenho pensado melhor e decidi que eu quero crescer. Não quero mais ser a adolescente rebelde, inconsequente, que faz o que quer e manda se ferrar quem não gostar. Eu quero me importar e eu quero pensar antes de fazer alguma coisa que eu vá me arrepender depois.
Voltando ao assunto, é engraçado também como confiamos nas pessoas erradas ou como acreditamos que uma pessoa é perfeita quando na verdade todas as qualidades que pensamos existir, são defeitos berrantes. Mas por romantismo, ingenuidade, esperança ou o que quer que seja, insistimos em mascarar e tampar cada defeito, maquiando-os de uma qualidade admirável, talvez pras suas amigas não te condenarem tanto assim. Só que acontece que a maquiagem derrete, a máscara cai e não adianta muito todo aquele discurso pra você fazer o lobo parecer uma ovelha. E aí o que fazer? Correr? Fingir que não percebeu? Continuar com a sua fantasia? Botar logo os pés na realidade?
Particularmente, como idiota que sou, eu preferia fingir que não percebi e continuar minha fantasia. Fiquei assim dois anos da minha vida. Um lobo do meu lado que eu insistia em enxergar como ovelha e gritar aos quatro ventos e a todas as pessoas interessadas em ouvir (ou que me julgavam) que o que elas viam não era a verdade, mas sim o que eu via. Afinal, importante era a pessoa ser uma ovelha pra mim, o que ela fosse aos olhos dos outros não me importava.
Dois anos.
Dois anos.
730 dias.
17520 horas.
Mas finalmente eu percebi, não por vontade própria, que na verdade a ovelha era um tremendo de um lobo, como todo mundo tentou me alertar. Não gostei, mas senti um alívio TÃO grande quando percebi que não pensava mais nessa pessoa quando meus pensamentos começavam a vaguear, que comecei a analisar tudo que tinha acontecido. Ele não foi sempre um lobo. No começo (durante no máximo dois meses), a loba era eu e ele tentou. Eu ainda acho que foi eu que estragou tudo, mas quando eu percebi o que estava fazendo, ele já tinha se transformado. E eu insisti. Meu erro, confesso. Devia ter deixado ir. Não percebi o que estava acontecendo.
Na vida, precisamos ter discernimento de decidir quando insistir e quando desistir. Não adianta insistir se o único futuro a frente é alguém sair machucado. No começo tudo é bom. Tudo. Ninguém é um filho da puta nato (se você achou um, minha filha, boa sorte nessa vida). Quando as coisas começam a desandar é que você precisa perceber e pular do barco antes que afunde.
Quem me vê falando assim acha que eu sou uma pessoa que percebe, ao primeiro sinal de tormenta, que o barco vai afundar e pula e sai nadando pra longe pra me salvar antes que seja tarde. Mentira. Não sou assim. Pelo menos não até o último grande naufrágio. E é por isso que eu quero crescer.
Antes, eu me deixava levar. Esperava o barco afundar e se possível me levar junto na correnteza, até que eu quase me afogasse e aparecesse alguma mão pra me tirar daquela confusão. Sabe aquela última esperança? Espremer até a última gota? Quem sabe o barco não virasse um bote e as coisas não acabassem no fundo do oceano, afinal? Sempre fui uma pessoa de grandes esperanças. Pequenas também. Sempre tive esperanças, com tudo. E afundei. Muitas vezes. As duas últimas foram maiores, dignas de um Titanic.
É legal viver assim? É. Muito. Eu sempre defendi a vida agitada, a vida com tormentos, para darmos valor à calmaria. Mas eu cansei. Tô cansada de nadar quando a coisa degringola.
Quero deitar no barco e seguir com a correnteza suave. E se o negócio ficar mais agitado, eu quero saltar do barco.



Estou saltando do barco.







A demora pelos posts se deve às minhas queridas professoras que amam me ver perdendo tempo fazendo trabalho e a tão sonhada semana de provas.
Daqui duas semanas estarei de férias e prometo que vou tentar postar mais vezes. ;)

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