Em toda minha vida consegui fazer a coisa errada. Ou é a hora errada, ou a coisa errada a dizer, ou a pessoa errada. Enfim, sou marcada por erros. E o erro sempre vem quando as coisas estão dando certo.
Eu devo ter um alarme dentro de mim que soa quando tudo está certo demais. E aí, batata, lá vem a Karen fazer merda e estragar tudo. De novo.
Na verdade não é a Karen. Eu tenho muitas dentro de mim.
A Mercedez é a mexicana bêbada que fala ou faz muitas merdas quando bebe. É só ingerir álcool que fala a coisa errada, pra pessoa errada, na hora errada. Só que não é qualquer quantidade de álcool. Ela enxuga. E tem um fraco por tequila. Por favor, não dêem tequila a ela. Essa aí já acabou com um namoro meu. E com muitos rolos, diga-se de passagem. Essa é a que dança em cima do balcão, grita com as pessoas, bate em inocentes e xinga gente que não tá nem aí pra ela.
A Solange é a amante latina. Beija quem não devia, dá em cima de quem não devia e otras cositas más. A Solange não liga pra ninguém, só pra ela. E não tem amanhã, só o agora. Essa aí acabou com amizades minhas. Aliás, acabou não, mas já fez muita amiga parar de falar comigo temporariamente. Mas a Solange não tem consciência. Aí depois que tudo aconteceu e a merda tá feita é que ela vai pensar, mas logo some e eu é que tenho que arcar com as consequências.
Joana é a espanhola dramática. Gosta de um drama que só vendo. Se a pessoa não fala com ela há dois dias, é porque não gosta mais dela. Se a pessoa não atende o celular, é porque está rejeitando. E assim vai, e a lista é longa. Essa aí já teve muita discussão de relacionamento desnecessária e já deixou muita gente brava por isso. Gosta de discutir e não tá muito aí pra quem é ou se ela tem razão ou não. Joana tem sempre razão.
Tem também a Amélia, a francesinha apaixonada. A Amélia é só amores, nunca vi. As vezes por mais de uma pessoa ao mesmo tempo até. Mas Amélia não se contenta em amar em silêncio. Ela quer falar e quer ser correspondida. Ela ainda sonha com o príncipe do cavalo branco, um marido romântico, uma casa grande e com jardim, com três crianças lindas, comportadas e educadas correndo por ele. De vez em quando Amélia entra na minha consciência sem eu perceber e começa a sonhar. E Amélia viaja. De repente se vê casada com o bonito que passou por mim na rua, ou tendo 5 filhos com o cara que eu conheci ontem. Essa aí já acabou com vários futuros rolos, porque nunca vi pessoa que não consegue se conter igual ela. Não consegue ficar quieta. Se eu piscar, de repente lá tá Amélia falando um tanto de sentimentalismos e mimimis pro cara que eu conheci na fila do supermercado.
E, por último mas não menos importante, Roberta, a americana independente. Roberta não gosta de depender de ninguém e pra ela, mulheres como Amélia são dignas de pena. Não se humilha pra ninguém, não se rebaixa pra ninguém e se não gostarem dela, não pensa duas vezes em mandar a pessoa se fuder. Ela é macha e cuida de si mesma sem esperar (e nem dar) nada em troca. Essa não sofre, faz sofrer. Não é humilhada, humilha. Não gosta, faz gostarem. E essa já acabou não com um, nem dois, mas três namoros meus. E já fez muita gente desistir de mim antes mesmo de começarmos algo. Aliás, desistir não, colocou pra correr mesmo.
E, dessa forma, essas cinco mulheres tão distintas que moram dentro de mim aparecem toda vez que a campainha da normalidade toca. Elas se revezam pra fuder tudo então, se você só viu algumas delas, relaxa que você ainda vai conhecer as outras, porque elas sempre aparecem. Principalmente quando eu acho que alguma delas foi morar em outro lugar.
Acho q conheço todas elas, e varias historias com elas...
ResponderExcluirMais enfim, o post ficou muito bom, bem escrito.
Mais vc sabe disso, pq eu li o post Sexta-feira antes de ser divulgado kkkkkkkkkkk